Crônicas

Caminho factível com prazer!

A imagem dos demônios dos cristãos foi desenvolvida a partir da figura dos sátiros.

Eles foram semideuses da Mitologia Grega e viveram como devassos, libertinos de carteirinha.

A Bíblia sagrada costuma apresentar os sátiros como sinônimos de demônios, principalmente pelo corpo parecido com bodes.

Não que fossem criaturas que promovessem o mal, mas sim pela aparência associada à quem veio para te levar para o inferno.

O escritor Javier Marías conseguiu descrever com poesia uma associação terminal levada ao cabo em seu livro “Assim começa o mal”:

— Não faz muito tempo que aquela história aconteceu, menos do que costuma durar uma vida, e quão pouco é uma vida quando ela já está terminada, e já se pode contá-la em poucas frases, e só ficam na memória, cinzas que se soltam à menor sacudida e voam à menor lufada, que no entanto, hoje ela seria impossível.

Com os olhos sem maldade, se torna poética uma trajetória humana ao cruzar por uma generosa mente.

O mais famoso dos sátiros foi Mársias, que era uma criatura meio humana com chifres curtos, orelhas pontiagudas, patas de bode e mãos em forma de taça ou de um instrumento musical.

 Foi uma divindade grega dos bosques e das montanhas, por vezes também chamado Sileno.

Esse nome lhe foi dado principalmente quando atingia a velhice, ficava barrigudo, feio e andando de burro.

Nota-se que o etarismo já era praticado com ênfase desde bem cedo em nossa existência.

Entre os Romanos, os sátiros eram conhecidos por Faunos, e sua participação nas lendas era quase sempre secundária e pouco decisiva.

Demônios da natureza, companheiros dos deuses, simbolizavam a capacidade criadora dos seres vivos, vegetais ou animais.

Em termos gerais, eram uma mistura de homem, cavalo e bode, variando de acordo com as versões das lendas. No entanto, a expressão “o juízo de sátiro” pode ser vista como uma forma de negativismo ou pessimismo. Quando alguém está constantemente cético em relação à beleza e ao amor, pode perder a capacidade de apreciar a vida em sua plenitude, e deixar de aproveitar as oportunidades que surgem.

A vida perene deve ser compreendida; encontrar o prazer sem azedume faz com que a filosofia exerça uma ginástica objetiva para lhe mostrar um caminho factível, com admiração na maioria de seus momentos.

Compreendido esse capítulo, reza a lenda que a pergunta a ser respondida é por que teimas em manter uma queixa frequente sobre seus dias, por que esperas que somente o amanhã lhe traga a felicidade.

Cuide-se no agora, bem antes que o entardecer lhe mostre que perdeste mais um precioso dia.

Raul Tartarotti

Raul Tartarotti é Engenheiro Biomédico, cronista e mentor do portal www.espacodacultura.com.br, voltado a divulgação de textos de autores brasileiros. Coautor do livro "A voz dos novos tempos". Estudou filosofia clássica, contemporânea e literatura Russa. Suas crônicas têm cunho humanístico e abordam temas contemporâneos, e são publicadas em diversos sites culturais no Brasil e exterior.

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